quinta-feira, 29 de junho de 2017

Patrícia no programa Show Magazine, da TV Transamérica

Olá, amigas! O meu primo, Gustavo de Santa Cruz Arruda, me entrevistou no programa dele, na TV Transamérica. Conseguimos divulgar (pelo menos um pouco) informações sobre a ST. 🙂 Assistam, pessoal!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Deficiência?



É muito comum que tenhamos uma impressão negativa a respeito das deficiências humanas. Isto é compreensível. Porém, costumamos não perceber as qualidades das pessoas chamadas “especiais”. Normalmente, eu não gosto deste tipo de eufemismo, mas acho que o termo “pessoas especiais” é muito adequado quando se trata de pessoas que têm alguma deficiência, no sentido literal.

Há algum tempo, li um belo texto que procura explicar porque existem crianças especiais. Deus criou pessoas muito diferentes para que aprendessem umas com as outras e para que juntas formassem o seu corpo, tornando-se então “a sua imagem e semelhança”. Neste texto, mencionou-se uma doença chamada mielomelingocelle (o nome da enfermidade significa “mel que veio do céu”, consistindo em uma deformação da coluna). Decidi pesquisar um pouco sobre a doença na Internet, o que me levou a ler a história de Barbara. O simples fato de escrever o seu nome fez com que lágrimas aflorassem aos meus olhos. Ela é uma linda menina americana, que sofre daquele mal e de hidroencefalia.

Lembro-me nitidamente da sua foto. Como não amá-la? É difícil expressar em palavras o que senti. Olhar para a foto daquela menina é o suficiente para sentir a energia amorosa, comovente que emana dela. A sua mãe a considera uma criança como qualquer outra. Ela conta que Barbara é ao mesmo tempo inocente e manipuladora, que está indo bem nas suas aulas de natação especial e que a menina tem muitos admiradores. E a garota tem apenas 6 anos! Ler este depoimento me tocou, pois a mãe de Barbara não a considera “anormal”. Por que pessoas que não têm os problemas daquela menina são consideradas “estranhas” por muitos? Isto não faz sentido. É claro que não faz sentido, mas a nossa sociedade é realmente louca, difícil de se entender.

Escrever sobre Barbara fez com que eu me lembrasse da afetividade das pessoas portadoras da Síndrome de Down. De fato, são pessoas carinhosas, amorosas. Isto sem falar das histórias de superação de várias pessoas que têm esta Síndrome.

Eu comentei que me enterneci ao ler sobre a história de Barbara e ao ver a sua foto. Muitas vezes nós nos esquecemos do que é essencial: o amor. Este sentimento pode nos levar a enxergar as pessoas especiais de uma maneira diferente. Inclusive quem disse que todos nós temos que ter um papel ativo na sociedade? E as crianças e idosos? Inclusive estas pessoas são desvalorizadas.

Lembrei-me de um pequeno livro, “O Caminho da Paz”, de Henri J. M. Nouwen. Nesta obra, o autor, um sacerdote holandês, conta a história de Adam, um rapaz com sérios problemas físicos e cognitivos, que transmitia uma paz que não é deste mundo. Eu acredito que tudo no Universo tem um sentido, inclusive os mais sérios problemas. A nossa compreensão é que é limitada.

Também são maravilhosas as pessoas portadoras da Síndrome de Williams. Estas pessoas têm sérias dificuldades para executar tarefas do cotidiano, tais como comprar algo e conferir o troco. Mas elas são sociáveis, afetuosas e  muitas têm um talento excepcional para a música.

E quanto a nós, mulheres portadoras da Síndrome de Turner? Muitas de nós não têm outras características da síndrome além da infertilidade e da baixa estatura. Outras têm problemas de saúde leves, que podem ser tratados. Então em muitos casos a Síndrome de Turner não pode ser considerada uma deficiência. Somos lutadoras. Com o tempo acabamos aprendendo que a aparência não é o que realmente importa na vida, não discriminamos ninguém. O que dá sentido à vida é o bem que fazemos e crescermos como pessoas, não é verdade? Então nós, mulheres com Turner, nos esforçamos para desenvolver várias qualidades, para nos tornarmos seres humanos melhores. Já conheci várias mulheres como eu e elas são realmente pessoas maravilhosas.

Escutei ou li em algum lugar algo mais ou menos assim: "Deficiência? O que é deficiência? Quem não tem suas deficiências?" Isto é verdade... Todos nós temos nossas deficiências, nossos defeitos, nossas falhas. A deficiência, a imperfeição fazem parte da condição humana. Como disse a jornalista Leandra Migotto Certeza (https://www.youtube.com/watch?v=a9xC5DOLiQY) em uma palestra realizada em 2015, na REATECH - Feira Internacional de Tecnologia, Inclusão e Acessibilidade (https://www.youtube.com/watch?v=HZt_eEy4-34), quem não está sujeito a sofrer um acidente ou envelhecer e ter vários problemas de saúde relacionados à idade avançada? Encarar as dificuldades que fazem parte da vida e procurar aceitá-las pode fazer com que tenhamos um pouco mais de paz de espírito.

Sei que o meu texto pode soar piegas para muitos. Não tenho a intenção de romantizar o que as pessoas com deficiências e seus familiares vivenciam. É claro que eu sei das dificuldades. Mas... é importante também procurar enxergar outros aspectos da mesma situação.

Enxergar o próximo de uma outra maneira pode ser maravilhoso! Podemos abrir os olhos para ver Deus em nossos semelhantes... Namastê!

“O Deus que habita no meu coração, saúda o Deus que habita no seu coração”.
 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Empoderamento




Acho que esta é uma questão fundamental: o que é ser uma pessoa empoderada? Creio que tudo começa com o amor próprio. E, afinal, o que significa ter uma boa autoestima? Parece-me que um dos fundamentos do amor próprio é tomar posse de si mesmo(a), ser Senhor(a) de si mesmo(a). O autoconhecimento nos leva a este caminho. E a consciência de que as opiniões dos outros não importam tanto assim faz com que continuemos no mesmo sentido. Sim, as opiniões dos outros não importam tanto assim, pois cada um enxerga a realidade através de suas “lentes mentais”. Por exemplo, se eu não correspondo aos padrões de beleza aceitos pela nossa cultura certamente não vou chamar a atenção de alguém que valorize isto. Ou se eu sou muito romântica, sensível, talvez não desperte o interesse de uma pessoa que seja extremamente racional. Então faz sentido se preocupar muito como o que os outros pensam sobre nós ou com certas “exigências” da sociedade? Acho que não. Aliás, acho que é essencial questionar certos valores aceitos pela sociedade, ter opiniões próprias. Isto também leva ao empoderamento! A nossa sociedade está doente. Quem duvida disso? Os sinais estão por toda a parte.

Tudo isso soa arrogante? Sim, talvez. Mas trata-se de uma arrogância saudável. É claro que uma atitude saudável para consigo e diante da vida também inclui a humildade. Ou seja, devemos ser capazes de perceber quando as opiniões dos outros devem ser levadas em consideração, pois apontam para os nossos defeitos, aspectos em relação aos quais podemos melhorar. Tudo isto faz parte do autoconhecimento, da construção do amor próprio e do processo de empoderamento. Aceitar as próprias falhas é o primeiro passo para a mudança, para a evolução. Como ensina o I-Ching, a verdadeira humildade, a verdadeira autoestima consiste em diminuir o que é exagerado em nós e valorizar qualidades que temos, muitas vezes menosprezadas. Ter uma noção de quem se é, o mais próxima possível da realidade, aceitar e valorizar isto – aí reside o verdadeiro amor próprio.

O leitor talvez tenha a impressão de que eu me considero sábia, alguém que tem algo para ensinar… Não, eu tenho consciência de que sou uma pessoa como qualquer outra. Eu também estou aprendendo, sou apenas mais uma caminhante. Acho que estas reflexões são válidas, mas não têm nada de original. Mencionei o I-Ching… Além disso, as ideias de questionar sempre e da busca do autoconhecimento encontram-se nos fundamentos da filosofia.

Agora vou abordar outra questão. Quando eu era adolescente me aventurei a ler “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera. Na época eu não tinha maturidade para absorver o conteúdo do livro, em toda a sua profundidade. Em um trecho da obra um dos personagens observa que a bondade de outro é a sua fraqueza. Na ocasião eu interrompi a leitura e me indaguei: “Será que a bondade pode ser fraqueza?” Hoje, mais madura, sei que não. Ser “bonzinho” pode levar uma pessoa a ser explorada, manipulada por outras. Mas pessoas boas, como Martin Luther King, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi ou Madre Teresa de Calcutá não eram fracas, pelo contrário. Não vamos entrar na seara de que estas pessoas tinham um lado que não é admirável. Sim, é claro que elas tinham defeitos, isso faz parte da condição humana. O fato é que estas pessoas tinham um lado admirável e não eram fracas, de maneira alguma. Aliás, com o passar dos anos acabei percebendo que a “maldade” de certas pessoas é uma couraça, um disfarce para aparentar força e esconder uma profunda fragilidade. E a vulnerabilidade também faz parte da condição humana… Ter consciência disso já nos torna pessoas mais fortes, mais empoderadas.

A conclusão é que buscarmos o autoconhecimento e a evolução nos leva ao empoderamento. E nem poderia ser diferente. Se assim fosse soaria como algo muito estranho, não é verdade?

Se você tem vontade de refletir um pouco mais sobre o tema, leia o artigo “Empoderamento da Imagem para a mulher com ST (Luciana Martins Alves)” (http://sgabtoasw.blogspot.com.br/2016/12/empoderamento-da-imagem-para-mulher-com.html).

sábado, 10 de junho de 2017

Nós, os “diferentes” e a sexualidade


Eu sou uma pessoa “diferente”. Sou portadora da Síndrome de Turner, por isso sou pequena (1,43 m) e não posso ter filhos. Falo por mim e por todos os outros que são considerados “diferentes”, não é fácil lidar com os olhares e palavras de estranhamento. Como se eu não pudesse ser amada, como se eu fosse anormal, como se fosse algo muito estranho alguém com a minha aparência querer cantar, como se eu não pudesse ser considerada bonita, atraente… Como se… Acho que não é necessário repetir o que eu ouvi ou descrever uma situação em que recebi olhares de estranhamento. Esta atitude é uma tentativa de seguir o caminho do amor, da compreensão. Mas de qualquer maneira acho que é importante a discussão sobre o tema. Só assim poderemos tentar mudar algo na nossa cultura, que está doente. Os sinais de que a nossa sociedade está doente estão por toda a parte: pessoas que se submetem a muitas cirurgias plásticas, garotas (e alguns garotos) que sofrem de bulimia ou anorexia e assim por diante. 

Acho que devo simplesmente aceitar a ignorância de certas pessoas… Ignorância no sentido de que elas não sabem o que é estar na minha pele. Devo aceitar e ficar em paz. Estou procurando acessar aquele cantinho do meu peito que é capaz de sentir compaixão. Sim, há uma parte de mim (que por enquanto é muito pequena) que tem sabedoria (“aquela que sabe”, como a chamou Clarissa Pinkola Estées, autora do livro “Mulheres que correm com os lobos”), que sabe que tudo o que se refere ao meu ego não tem tanta importância assim, que sabe que, de um ponto de vista espiritual, sempre é possível recomeçar. Se eu magoei alguém isto não quer dizer que eu tenha causado um dano permanente, aquela pessoa tem uma longa jornada de evolução à sua frente. Eu agi de cordo com a maturidade que eu tinha na época e preciso me aceitar assim, imperfeita... humana. E se eu fui ferida também tenho um longo caminho de aprendizado diante de mim, que passa pelas lições do perdão e do auto-perdão. Do ponto de vista da eternidade, o que acontece neste plano de existência não significa nada… Eu tive apenas um vislumbre do que é o perdão, apenas isso. Ainda sou uma pessoa como qualquer outra, que sente culpa, que guarda mágoas…

Voltando a escrever sobre o preconceito, parece que certas pessoas não ouviram falar de várias histórias de superação, pessoas que estão aí para demonstrar que o amor existe para todos. Ou as pessoas que tiveram atitudes preconceituosas nunca pararam para pensar sobre o tema. Sim, o amor é difícil de encontrar, é preciso antes de mais nada encontrá-lo dentro de si. Mas, por outro lado, o amor existe para todos! Um exemplo é o filme “As Sessões”, que é baseado em uma história real. O filme trata do processo de amadurecimento e superação de um jornalista e poeta tetraplégico, que tem dificuldades respiratórias. Outro exemplo de superação é Nick Vuijicic, que nasceu sem os braços e pernas. Ele é escritor e palestrante motivacional. A sua esposa é linda e eles têm dois filhos. (Sorriso!)

Há alguns dias eu assisti a um vídeo da Leandrinha Du Art, que me marcou muito. Ela é uma mulher trans, cadeirante e portadora de uma síndrome considerada rara, como eu. No vídeo Leandrinha conta que, na época do colégio, o garoto mais bonito da turma sentiu-se atraído por ela. Então Leandra pensou: “Se um garoto tão bonito me quis é porque ele viu algo de belo em mim. Por que eu não posso desejar a mim mesma, me considerar gostosa?” Claro, por que não? Como disse Leandrinha, “mulher tem que ser alta, loira, cheia de curvas?” Que história é essa? Sim, é óbvio que sexo tem a ver com o corpo, mas o corpo não se limita à imagem. Isso sem falar que a beleza está nos olhos de quem vê, é algo muito relativo. O sexo envolve os outros sentidos (cheiro, tato, audição…), é evidente. E o sexo vai muito além de tudo isso – é sentimento, energia, poesia, troca… Como bem disse Arnaldo Jabor e cantou Rita Lee: "Amor é prosa, sexo é poesia." Obrigada por ter me levado a estas reflexões, Leandrinha!

Leandrinha é uma verdadeira sereia, como ela mesma se descreve. Com os seus cabelos compridos e coloridos, com a descoberta do seu poder de sedução a sereia veio à superfície e volta a mergulhar no seu mundo misterioso quando assim quer. Agora a voz de outra sereia quer se fazer ouvir, a minha voz. Sou uma sereia que certa vez tentou seduzir com música, poesia e não conseguiu. Não conseguiu? É claro que estou menosprezando o meu poder de sedução. Eu, que também sou “diferente”, descobri que posso ser desejada e amada. Com a Leandrinha aprendi que falta eu me desejar e me amar mais! (Sorriso!)

domingo, 29 de janeiro de 2017

Gratidão


Estou me conscientizando de que tenho muito a agradecer. Sim, tenho Síndrome de Turner, e daí? Sou baixinha, não posso ter filhos, tenho osteoporose, mas não tenho outras doenças em decorrência da síndrome. É comum que mulheres com ST tenham problemas cardíacos, por exemplo. Ainda assim estou aqui. O aborto espontâneo devido à ST é muito comum, ocorrendo em mais de 90% dos casos. Ainda assim estou aqui. Também é comum que meninas com ST tenham dificuldades com a alimentação. Foi assim comigo. Os meus pais tiveram bastante trabalho para me alimentar quando eu era criança, pois eu era muito chata para comer. Ainda assim estou aqui. Mais: o meu parto foi difícil, pois eu estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Ainda assim estou aqui, e sem sequelas. Fiquei comovida quando li um pouquinho sobre a história do filósofo Alexandre Jolien. Reconhecido pelos seus ensaios e por ser um dos autores do livro “O Caminho da Sabedoria – Conversas entre um Monge, um Filósofo e um Psiquiatra sobre a Arte de Viver”, Jollien se viu desde cedo obrigado a conviver com a adversidade. Por causa de um estrangulamento no parto provocado pelo cordão umbilical ele sofre de incapacidade motora cerebral (IMC). (http://bonsfluidos.uol.com.br/noticias/entrevista/nietzsche-o-zen-e-o-bem.phtml#.WI1No1xpGAS) A sua história é tão parecida com a minha que eu não poderia ter deixado de me sensibilizar.

Nós, mulheres com ST, somos sobreviventes, somos guerreiras. O termo “guerreira” tem sido muito usado na internet, tem sido banalizado. Mas é inegável que somos guerreiras. Somos guerreiras porque estamos aqui, apesar de problemas de saúde que poderíamos ter ou temos. Somos guerreiras porque enfrentamos o preconceito. Somos guerreiras porque psicologicamente enfrentamos muitos desafios.

Por que acredito em Deus e sou grata a Ele? Bem, de alguma maneira a fé sempre esteve presente no meu coração. E pelos motivos que já mencionei eu poderia não estar aqui. Mas parece que a Vida me ama e me quer aqui, neste planeta azul. Também me lembro que em momentos difíceis senti uma energia cálida, confortante... Certa vez eu estava chorando de madrugada... Senti uma energia maravilhosa me envolvendo e adormeci. No dia seguinte meus olhos estavam inchados de tanto chorar, mas eu estava recomeçando. Em outra ocasião eu estava pensando sobre meus problemas... Chorei muito... Naquela noite eu senti que a minha avó estava por perto, me consolando. Em outra noite eu estava sozinha e triste em uma cidade estranha. Pedi uma bíblia emprestada e li trechos do evangelho. Eu me acalmei, senti a presença abençoada de amigos espirituais e acabei adormecendo.

Outra noite de tristeza... Adormeci... No dia seguinte eu estava me sentindo bem... Passei por uma livraria esotérica. Eu não queria entrar lá, mas algo me "puxou" para aquele lugar. Eu abri um livro e li que quando estamos nos sentindo felizes sem motivo os anjos estão brincando conosco. E quando encontramos alguém "por acaso" e isto é uma feliz "coincidência" os anjos estão por perto. Ao caminhar pelas ruas senti uma energia muito leve, muito pura, que não consigo descrever. Talvez eu estivesse aspirando os fluídos angélicos. Eu me sentia como se estivesse flutuando... As pessoas com as quais me encontrei durante aquela tarde sorriram para mim... Até uma bibliotecária, que geralmente era bastante séria, sorriu. Sim, acho que um anjo estava perto de mim durante aquele dia.

A mensagem que quero transmitir é que não estamos sozinhos, não estamos desamparados. O amor, a energia da Vida nunca nos desampara. Somos muito amados! Este é o ponto ao qual eu queria chegar. Durante muito tempo eu não tinha uma relação saudável com Deus. Eu temia a Deus. Mas Deus é amor e nunca me abandonou. Lembro-me da canção de George Harrison, "My sweet Lord". Sim, Deus é doce, é puro amor. Também me lembro da história "Pegadas na areia". Quando achamos que Deus pode ter nos abandonado, Ele na verdade está nos carregando em seus braços. Isto é muito verdadeiro! Algumas pessoas podem estar se perguntando: "E quanto às dificuldades da vida?" Como disse o mestre Osho, "tudo está certo no Universo, há muitas coisas que não compreendemos". Até os problemas que enfrentamos são manifestações do amor de Deus. Quem seríamos nós se não existissem dificuldades? Espíritos sem substância e fracos, certamente. Repetindo o que disse o mestre Osho, tudo está certo no Universo, tudo contribui para a nossa evolução. Escrevi este texto como uma pequena demonstração de gratidão ao Universo, a Deus, à Vida! Muita paz, amor e luz para todos nós!

Indico a leitura deste texto: MENSAGEM DOS ANJOS - AMOR
(http://www.decoracaoacoracao.blog.br/2017/01/mensagem-dos-anjos-amor.html)

domingo, 1 de janeiro de 2017

Diário de viagem – IX Turner Syndrome International Conference, em Cancun - 16 de novembro



Da esquerda para a direita: Deborah (Debby), Wan  He Liu, Vera Freitas, Anne

Eu e minha amiga Vera fomos até o hotel onde seria realizada a Conferência Internacional sobre Síndrome de Turner, em Cancun. Adorei ter conhecido as americanas Anne e sua amiga, Deborah (Debby). Anne é extrovertida, alegre e estava tomando vinho branco. Ela veio nos cumprimentar e Vera perguntou: “Está escrito nas nossas testas que temos ST?” Anne respondeu: “Está escrito na baixa estatura.” :-) Anne não é baixinha, os seus pais são bem altos.

Na mesma ocasião também conhecemos um grupo de colombianas e equatorianas. As equatorianas lamentaram que nossa amiga, Dra. Bernarda, não estava lá. Foi muito bom olhar para elas e pensar: “Olha, esta aí a minha turma!” É, não está escrito nas nossas testas que temos Turner, mas mulheres baixinhas em um hotel onde seria realizada uma conferência sobre ST… provavelmente são portadoras de Turner. Somos irmãs, sobreviventes, guerreiras!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Empoderamento da Imagem para a mulher com ST (Luciana Martins Alves)





Luciana Martins Alves, coach e consultora de imagem, nos perguntou o que faz uma mulher ser empoderada? Características físicas e de personalidade, claro. Quanto às características físicas, é claro que este não é o aspecto mais importante e cabe a cada uma de nós valorizar nossas particularidades físicas e aproveita-las do melhor modo possível. Por exemplo, uma pessoa alta pode ter facilidade para jogar basquete ou vôlei. Já uma pessoa de baixa estatura  pode ter o tipo físico ideal para praticar ginástica olímpica (ou ginástica artística). Já assisti a um vídeo de um rapaz de baixa estatura que aproveitava esta característica para “roubar” a bola do time adversário no basquete, com muita agilidade. E, além de ágil, ele também era rápido. 

Luciana nos contou que o seu marido é diabético e estava correndo risco de vida. Então ela foi convidada para ser palestrante na IX Conferência Internacional sobre Síndrome de Turner.  “O que eu faço agora? Não me sinto empoderada!” – foi o que ela pensou  na ocasião.  Ela fez o possível para ajudar seu marido e a saúde dele se estabilizou. 

A coach de imagem nos contou um pouco sobre a sua vida. Ela tem ST, é brasileira, carioca, casada com um peruano e atualmente mora no Canadá, em Quebec.  Luciana Martins estudou Pedagogia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.  Ela é pós –graduada em Educação Especial  pela “Universidad Autonoma de Madrid”.  Atualmente Luciana é CEO da empresa IIPSUM em Montreal, Canada e trabalha como coach e consultora de imagem.  Além do português, Luciana fala espanhol, inglês e francês. Uma cidadâ do mundo! Ela também cursou mestrado e ainda não concluiu o doutorado, pois não tinha objetos de pesquisa (pessoas entrevistadas) o suficiente. Ela também nos contou que foi para o Canadá porque já tinha visto de residência permanente no país. Mas quando ela chegou ao Canadá não tinha o dinheiro de estadia. Mas ela tinha formação em educação e aconselhamento e resolveu fazer uso de seus conhecimentos, abrindo sua própria empresa.

Sobre a imagem que faz de si mesma, Luciana nos contou que se olhava no espelho e pensava: “Pouco a pouco tenho que conviver com esta imagem”.  O que mais importa  para ela hoje em dia é que nós, juntas, criemos o conceito do que é uma mulher empoderada.  Segundo ela, ser uma mulher empoderada implica em buscar atingir seus objetivos pessoais. Quando alguém tem uma imagem nítida, forte do que almeja conseguir, persegue este objetivo.

Luciana nos contou que tinha consciência de que era naquele lugar que deveria estar, na IX Conferência Internacional sobre Síndrome de Turner. Segundo ela, a ST lhe ofereceu muitas coisas, o empoderamento, um sentido  para a vida: compartilhar com suas iguais. 

Quando pensamos em empoderamento, o que isto envolve? Isto envolve a maternidade? Para muitas mulheres, sim. Nós, mulheres com Turner, podemos ser mães.  A maioria de nós não pode ter filhos biológicos. Mas é claro que podemos pensar na hipótese da adoção e também podemos ser educadoras.  Ser educadora também é uma maneira de exercer a maternidade.

Um exemplo de mulher empoderada? Hillary Clinton, certamente. Mas é claro que o empoderamento não se refere apenas ao poder político ou financeiro.  É muito mais do que isso. É ter segurança de si mesma e um propósito para a vida. Ser empoderada também significa assumir quem eu sou e procurar fazer o meu melhor, com minhas qualidades e limitações.

Há muitas maneiras de definir sucesso, o que envolve os papéis sociais de cada uma de nós, a imagem que a mulher faz de si mesma.  E, claro, a independência  é importante para o empoderamento da mulher. Ir a algum lugar sozinha, fazer algo sozinha... Recentemente eu li trechos do livro “Mas você vai sozinha?”, de Gaia Passareli.  São muito interessantes os relatos das viagens que a autora fez – sozinha!

Luciana citou uma frase de Paulo Freire: “Quando alguém começa a ler deve ler o mundo que está ao seu redor”. É claro que o conhecimento nos dá poder e a consciência da sociedade em que vivemos e do mundo que nos rodeia idem.

É claro que a auto imagem é um aspecto do empoderamento. "Não tenho a aparência de uma modelo e não me interessa ter a aparência de uma "top model". " - disse Luciana. O importante é sentir-se atraente, usar roupas adequadas, cuidar de si mesma... A propósito, nós, mulheres com ST, muitas vezes temos dificuldade para encontrar roupas adequadas para nós. Em outros países existem setores de roupas "Petite" nas grandes lojas de departamentos. Mas no Brasil muitas vezes é difícil encontrar roupas que nos sirvam. Hoje existem campanhas publicitárias com modelos "plus size". Recentemente assisti pela TV a uma matéria sobre um concurso para eleger a "Miss Plus Size". Mas nós, mulheres "mignon", somos esquecidas pelas revistas femininas, pelas confecções de roupas e campanhas publicitárias. Está na hora de uma mudança! Já passou da hora!

A coach e consultora de imagem nos contou que hoje em dia se olha no espelho e diz para si mesma: “Sou a mulher mais bonita, mais empoderada do mundo!” Então ela nos perguntou: “Você se considera empoderada?” Todas nós respondemos em coro: “Sim!”  “Assim é!” – finalizou ela.